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terça-feira, 3 de julho de 2012

Mãos que dão…



Mãos que dão…

As mãos esbanjam gestos. Não são poupadas nem selectivas. Buscam sons, palavras e frases.  Ficam ansiosas, demonstram força, limpam o suor, enxugam lágrimas.
São espelho da necessidade criativa. A Criação é um dedo que procura outro. O gesto demiurgo nasce nas mãos. Elas criam arte. Escrevem, pintam, tocam. Mas as mãos de que me lembro são mais do que instrumento ao serviço da arte. As mãos de que falo são aquelas que tiram a febre, as que confortam um doente, são as mãos que curam. Não são as do pintor, do escritor ou músico. São as do agricultor, da enfermeira e da médica.
Os gestos de que me lembro não são os da maestrina que espalham a música pelo espaço. São os gestos que espalham a semente na terra, os que regam e colhem. São os que fazem o pão. Há mais dignidade nas mãos de um padeiro do que nas de qualquer escritor. Há mais vida nas de um médico do que em qualquer músico. Há mais beleza nas mãos de uma enfermeira do que em qualquer poesia.
Há mais emoção nas mãos em prece do que em qualquer palavra.
Tudo pela vida, nada contra a vida.


A Arte é uma subordinada.

MR 

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