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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os 10 melhores livros do ano 2012

O meu TOP 10 no Diário Digital

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608206

“Austerlitz” de W. G. Sebald (Quetzal)O labirinto do tempo individual e colectivo. A melancolia. A procura de si mesmo.
Sebald, falecido em 2001, deixou-nos esta obra prima.
“A Herança Perdida” James Wood (Quetzal)O autor, em “A Herança Perdida”, levanta dúvidas onde outros ficam presos em certezas absolutas e ideias fossilizadas. E consegue-o através de diversas perspectivas que, em algumas vezes, implicam teorias diferentes.
Na essência, James Wood concretiza um princípio que deve estar presente na crítica literária: Interrogar tudo e todos. E não o faz de forma gratuita, pois explica e fundamenta os seus argumentos.
“A Ilha de Caribou” de David Vann (Ahab)
“A Ilha de Caribou”, editado pela Ahab Edições, é a felicidade cercada e dominada pelo desespero.
O dilema da morte, principalmente do suicídio, a degradação emocional e a influência depressiva do Alasca continuam muito presentes na motivação criativa de David Vann, autor do aclamado “ Ilha de Sukkwan”.
“A Ilha de Caribou” é um lugar habitado pelo medo, ilusão, desilusão e dor.
“A Lebre de Olhos de Âmbar” de Edmund de Waal (Sextante)“A Lebre de Olhos de Âmbar - uma herança escondida” é uma conjugação muito bem-sucedida entre biografia e ficção. Edmund de Waal partiu para esta aventura com o objectivo de conhecer melhor a sua família. Conseguiu muito mais do que isso.
“Já não sei se este livro é sobre a minha família, sobre a memória, sobre mim mesmo, ou se será ainda um livro sobre pequenos objectos japoneses” pág. 310
“A Lebre de Olhos de Âmbar - uma herança escondida” é uma viagem de auto-análise, de conhecimento genealógico e de reflexão sobre factos políticos que foram dramáticos para milhões de pessoas.
“Arde o Musgo Cinzento” de Thor Vilhjálmsson (Cavalo de ferro)«Arde o Musgo Cinzento» é muito mais do que uma história de incesto e crime. Os temas do incesto e infanticídio, por si só, não oferecem novidade. «Medeia» é um clássico exemplo. O que faz deste livro uma obra interessante é a desmistificação do romantismo perante a tangibilidade do real, é a abertura da palavra na poesia ante o fechamento e definição da palavra na Lei (Magistrado), é o Amor (meios-irmãos) diante das convenções sociais.
“Caderno de Mentiras” de Manuel Alberto Vieira (Liríope)“Caderno de Mentiras” é a auspiciosa estreia de um escritor que parece ter muito para contar. Os contos “Um compromisso necessário”, “O perigo de espreitar o outro lado”, “Encontro” ou “Nota Final” pertencem à melhor ficção que foi editada, este ano, neste género literário.

“Caligrafia dos Sonhos” de Juan Marsé (Dom Quixote)“Caligrafia dos Sonhos”, livro mais recente do vencedor do Prémio Cervantes Juan Marsé, é uma obra que tem o equívoco como importante pilar da sua narrativa. A errância de Ringo, que nem é o seu nome verdadeiro, pela veracidade ou invenção dos acontecimentos interroga a promiscuidade entre realidade e ficção. Quase tudo se baseia na credibilidade, e não na veracidade, do que é contado. Ringo opta constantemente pela reinvenção de memórias ou pela projecção no presente de uma fantasiada realidade.

“Fun Home - uma tragicomédia familiar” de Alison Bechdel (Contraponto)
“Fun Home” é um exercício de catarse. Bechdel é motivada pela dúvida sobre a morte do seu pai a procurar respostas que a levem a alguma conclusão. Não consegue. Quando tenta analisar as suas recordações percebe que sempre esteve num mundo de ilusões. Os pais tentaram sustentar um mundo que não existia e onde nunca poderiam ser felizes. São mais reais, como a própria autora afirma, quando vistos através da ficção.
O leitor tem à sua disposição uma obra  que não o deixará indiferente.
“O Sino da Islândia” de Halldór Laxness (Cavalo de Ferro)“O Sino da Islândia” é, desta forma, um diálogo com obras canónicas.
Laxness conjuga personagens que poderiam ter sido pintadas por Pieter Bruegel com a atmosfera criada pelas pinturas de William Turner.
A Editora Cavalo de Ferro edita, após “Gente Independente” e “Os Peixes Também Sabem Cantar”, o livro que pode ser considerado a obra-prima de Halldór Laxness. A edição de “O Sino da Islândia”, traduzido meticulosamente por João Reis, é um relevante acontecimento editorial pela sua evidente qualidade literária.
“Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch” de Aleksandr Soljenítsin (Sextante)Reservando um lugar na história para si mesmo ao expor, pela primeira vez, as condições de existência dentro dos campos de trabalhos forçados, Soljenítsin viu “Um dia na vida de Ivan Deníssovitch” ser utilizado como símbolo da abertura política de Krutchev em suposta antagonia para com a política até ali implementada por Estaline. No entanto, a importância do livro não se resume à ruptura com o cânone temático imposto pela ditadura estalinista.






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