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terça-feira, 2 de julho de 2013

"Como Ler um Escritor", de John Freeman (Diário Digital)


http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=639223




John Freeman (n. 1974) exerceu o cargo de Editor da “Granta” desde 2009 até meados de 2013. Foi presidente do “National Book Critics Circle”, entre 2006 e 2008, e escreveu para publicações tão importantes como “The Los Angeles Times”, “The New York Times Book Review”, “The Guardian” e “The Wall Street Journal”.

O jornalista, editor e crítico literário esteve em Portugal para promover a “Granta” portuguesa e o seu livro “Como Ler um Escritor” (Tinta-da-China).

A editora Tinta-da-China continua a editar obras relevantes para a análise de textos literários.

Após a publicação de “Entrevistas da Paris Review” (2009), organizado por Carlos Vaz Marques, surge-nos, agora, “Como Ler um Escritor”.

A conjugação das duas obras permite acrescentar competências de leitura e, em consequência, capacidade de descodificação dos textos.


De forma individual, “Como Ler um Escritor” será uma mais-valia para o leitor, se for considerado como uma introdução ou abordagem inicial ao universo criativo de cada autor.

55 textos sobre 56 autores compõem esta obra de 406 páginas. Devido à relação entre a extensão da obra e a quantidade de autores mencionados, não existe um aprofundamento da matéria que leve o leitor a adquirir os conhecimentos necessários para aprofundar a leitura das obras de cada um dos entrevistados. O livro não atinge essa profundidade, nem parece ter esse objectivo. John Freeman consegue abordar uma quantidade relevante de autores essenciais na literatura contemporânea. É um dos méritos deste livro. Escritores como De Lillo, Updike, Roth, Murakami, Auster, David Foster Wallace, Theroux, Kazuo Ishiguro , Mo Yan, Rushdie são sujeitos à interpretação de John Freeman.


A colecção de entrevistas abrange mais de uma década.

Os textos são, bastas vezes, opinativos. A prosa distancia-se dos academismos e disponibiliza-se a diferentes capacidades de leitura. Uma das questões que o livro faz emergir é a diferença entre a leitura de um escritor e a leitura dos respectivos livros. Até que ponto o biografismo entra na ficção é uma problemática debatida no domínio da crítica literária. John Freeman explora muito bem esta questão.“Como Ler um Escritor” é, essencialmente, um conjunto de textos que permite ao leitor aceder, através da perspectiva literária e afectiva de Freeman, a aspectos, umas vezes mais outras vezes menos importantes, da vida dos escritores com possível influência na produção das consequentes obras literárias.

Apesar de não atingir a excelência de “Entrevistas da Paris Review”, o leitor tem acesso a uma elucidativa introdução ao pensamento de muitos dos principais criadores da literatura contemporânea



Mário Rufino

Mariorufino.textos@gmail.com

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