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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Apresentação da Obra de José Saramago na Porto Editora




A Porto Editora assinalou hoje, dia 28 de Maio de 2014, um dia histórico na sua existência.
Depois de 35 anos na Editorial Caminho, o Nobel Português começa a ser publicado com a chancela da Porto Editora.
Na Fundação José Saramago, Manuel Alberto Valente (editor), Vasco Teixeira (administrador da Porto Editora) e as herdeiras Violante Saramago Matos (filha) e Pilar del Rio (esposa) apresentaram as novas edições de 9 livros de José Saramago:
"As pequenas memórias", "As intermitências da morte", "A caverna", "O homem duplicado", "História do Cerco de Lisboa", "A noite", "Manual de pintura e caligrafia", "Ensaio sobre a lucidez", "A viagem do elefante".
A apresentação contou com presença de Pilar Reis (editora de Alfaguara Espanha), Guilhermina Gomes (Círculo de Leitores, responsável pela edição de "Viagem a Portugal" de Saramago e pela criação do "Prémio José Saramago"), João Rodrigues (Sextante),  Francisco José Viegas, editor da Quetzal e responsável pela edição de "José e Pilar"


Manuel Alberto Valente afirmou que não existem alterações ao texto nas novas edições. No entanto, houve o especial cuidado com a fixação e revisão do texto, emendando, assim, pequenas incorrecções existentes.
A grande alteração acontece nas capas compostas pelo Atelier Jorge Silva.  O grafismo respeita a sobriedade outrora existente e é dotado de um valor simbólico especial. 
Sabendo da intransigente defesa da literatura portuguesa por José Saramago, a Porto Editora convidou vários autores portugueses a escrever, com a sua própria caligrafia, os títulos dos livros. 
Assim sendo, Eduardo Lourenço escreveu "A Caverna", Baptista Bastos encarregou-se de escrever "A Noite", enquanto a Mário de Carvalho foi entregue "A Viagem do Elefante". Valter Hugo Mãe (prémio Saramago) escreveu "As Intermitências da Morte, Gonçalo M. Tavares "As Pequenas Memórias" e Dulce Maria Cardoso "O Ensaio sobre a Lucidez". Siza Vieira desenhou o título de "História do Cerco de Lisboa", Júlio Pomar fez mesmo com "Manual de Pintura e Caligrafia". Por último, Lídia Jorge escreveu "O Homem Duplicado".
O Engenheiro Vasco Teixeira afirmou o objectivo em "preservar e perpetuar" a obra de Saramago, depois do Círculo de Leitores ter dado um impulso essencial na obra do autor português, através da edição de "Viagem a Portugal".
Violante Saramago enalteceu "o achado que é estas capas", pois estas revelam "ternura, afecto, sensibilidade"
Devido ao pequeno relevo no título, "é uma capa muito sensorial", afirmou.
Mas o mais importante, numa altura em que " a Cultura é achincalhada e humilhada", é a ética, os valores, a verticalidade que está dentro dos livros e que corresponde ao homem que lá está "dentro", também.
Pilar del Rio manifestou, de forma breve, a vontade de começar um novo ciclo numa nova editora.

No final, Manuel Alberto Valente resolveu esclarecer algumas questões que apareceram nas redes sociais.

Segundo o editor, as herdeiras não ganham nem mais nem menos do que no contrato anterior com a Caminho. A única diferença consiste no apoio à Fundação José Saramago que, sublinhou Manuel Alberto Valente, não recebe dinheiros públicos. A Fundação é sustentada pelas herdeiras e pelos direitos de publicação.

As obras estarão disponíveis a partir de amanhã, dia 29, na Feira do Livro de Lisboa. A editora terá um "stand", dentro do espaço Porto Editora, dedicado ao Prémio Nobel português. 

Os preços variam entre os 13,30 e os 17, 70 EUR.
Ao longo de dois anos serão editados todos os outros livros de Saramago. Tudo está dependente da caducidade dos contratos vigentes com outras editoras.
As próximas obras a serem publicadas são "Levantado do Chão", "Poemas Possíveis", "Provavelmente Alegria" e os Apontamentos. Além das obras de José Saramago serão publicados, também, ensaios oriundos da própria Fundação José Saramago
"Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas", livro ainda não publicado de José Saramago, será publicado em Setembro.
A publicação do romance inacabado acontecerá em simultâneo em diversos países.

A Porto Editora passa a ser, a partir de amanhã, o ponto de encontro entre os livros de José Saramago e os seus leitores.


Mário Rufino

2 comentários:

Carlos Faria disse...

Ok, uma infidelidade editorial póstuma, já li quase toda a obra ficcionada, mas esse cerco e esse manual ainda estão fora e essa opção nas capas parece-me muito interessante

Mário Rufino disse...

As capas acabam por retomar a opção da Caminho, antes de ser Leya, inovando com a caligrafia de vários amigos/autores. Parece-me de muito bom gosto.
Saramago chegou a dizer que gostava mais do grafismo antes da entrada da Leya

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