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domingo, 29 de junho de 2014

Apresentação de "Mal Nascer" de Carlos Campaniço na Biblioteca Pública de Évora







"O menino Santiago, criança pobre e abandonada, regressa à aldeia muitos anos depois já como Dr. Santiago.É um homem em fuga de uma mulher manipuladora e de ameaças de morte em plena contenda entre liberais e absolutistas."












"De facto, há diferenças entre os demónios e a obra de que falamos. Mas não há uma diferença de qualidade. Essa mantém-se. Se há algo que o Carlos prova com Mal-Nascer é que tem capacidade mais do que suficiente para merecer toda a atenção dos leitores e da crítica literária."




















"A escrita de CarlosCampaniço é uma escrita que se preocupa com o Outro.

Essa preocupação com o Outro é parte essencial na temática desta obra:

Repare-se na luta entre classes sociais,

no peso da Igreja nas sociedades menos letradas e mais fechadas

e
na pobreza como influência decisiva na formação do ser humano"








"A pobreza não é romantizada em Mal Nascer. Carlos Campaniço percebe, se me é permitido dizer, que a dignidade do Homem é posta em causa quando em situação de pobreza. E não me refiro só à pobreza material, embora saibamos que sem pão não há literatura ou filosofia. Refiro-me à pobreza de espírito, também.



O padrasto de Santiago Barcelos é um pobre de espírito embriagado pela ilusão de poder, pelo álcool e pela violência.

A mãe de Santiago Barcelos é uma mulher pobre tanto no aspecto material como em espírito, pois mal tem côdea para a boca e não percebe que há uma saída libertadora da violência doméstica."












"As personagens destes dois livros de que tenho falado são personagens complexas e muito reais; não são representativas do bem ou do mal. Não há maniqueísmo. Se prestarmos atenção, são pessoas que, de alguma forma, já conhecemos algures na nossa vida.
Vemos muitos Albano Chagas na nossa sociedade.  São aqueles que exercem o poder sem a mínima preocupação com a dignidade do Outro e que impõem a culpa onde ela não existe. É o que Albano Chagas provoca na aldeia, na mãe do menino Santiago e no padrasto. "






"O leitor é seduzido pelo enredo e é também chamado a completar, com a sua experiência de vida e imaginação, a aldeia, as personagens, os acontecimentos.

Estamos perante um autor que sabe que a literatura só existe quando o leitor intervém e recria, na sua cabeça, o que está a ler. "

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