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domingo, 19 de outubro de 2014

Apresentação de "A Retirada dos Dez Mil", de Xenofonte




«A Retirada dos Dez Mil» (Bertrand), de Xenofonte, escrito entre 200 a 400 anos antes de Cristo e traduzido por Aquilino Ribeiro em dois períodos distintos (1913 e 1938), foi ontem apresentado no auditório da FNAC Chiado.

O escritor Mário de Carvalho, autor da introdução a esta obra, Eduardo Boavida, editor da Bertrand, e Alberto Correia, ex-presidente do Centro de Estudos Aquilino Ribeiro, apresentaram o 18.º título escrito ou traduzido por Aquilino, na republicação da obra completa do autor nascido em Sernancelhe.
«A Retirada dos Dez Mil», também conhecido por «Anábase», é a narrativa da beligerante incursão do exército helénico em territórios persas. O General Ciro quer derrotar o seu irmão Artaxerxes II. A batalha acontece na planície de Cunaxa, junto a Babilónia, no agora Iraque. A vitória de Ciro é incipiente, pois ele acaba por ser morto nessa contenda. O seu exército, agora isolado e sem comandante, inicia a retirada para a Grécia, com passagem obrigatória por diversos territórios ocupados por povos inimigos.Xenofonte assume, por necessidade de organização do exército, um papel preponderante no regresso a casa.
Este grupo de homens pertence a uma Grécia, segundo Mário de Carvalho, longe de ser pacífica e elegante. É antes uma Grécia tumultuosa, colorida, competitiva e habitada por gente inteligente, exímia na oratória, e subtil.
Alberto Correia encontra neste grupo de mercenários à procura de riqueza na Pérsia semelhanças com a conquista, no século XXI, de poder económico nas mesmas regiões.
É esta actualidade, entre outras importantes características, que levam Alberto Correia a sublinhar a responsabilidade individual e colectiva em valorizar o autor de «Malhadinhas». Isso faz-se através do estudo e da leitura das respectivas obras.
Mário de Carvalho partilha essa opinião. O escritor português, recentemente vencedor do Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco com «Liberdade de Pátio», considera Aquilino Ribeiro «o escritor, por excelência, do século XX. É um enorme escritor. Anda muito mal avisado quem pensa que pode dispensar o contacto com estes grandes escritores da nossa língua e da nossa literatura».
E apela aos jovens autores a regressar à leitura deste grande autor, pois «a nossa literatura, que corre por aí – dizem - com alguma diversidade, precisa de se revigorar indo a este solo dos grandes escritores».
Os clássicos devem permanecer nos hábitos de leitura e influenciar a o surgimento da novidade.
«A Retirada dos Dez Mil» é valorizado com introdução de Mário de Carvalho. A tradução e o prefácio são de Aquilino de Ribeiro.
Segundo o autor de «Liberdade de Pátio», a obra de Xenofonte é composta por muita acção, muitos imprevistos, e proporciona «uma leitura extremamente aliciante».

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=736899



















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