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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Os melhores livros de 2014



10 Sugestões de leitura

Listas. Tão certas como as passas e o champanhe.
Chegamos ao fim de 2014 com muitos livros lidos. Alguns destacaram-se pela qualidade intrínseca, mas também por uma variável incontrolável: a vivência de cada leitor.
Deixo 10 sugestões de leitura (ficção). Deste grupo de livros, destaco 3:

“Teoria dos Limites” (Teodolito), de Maria Manuel Viana. – O melhor livro que li este ano de um (a) autor (a) de língua portuguesa. É inteligente e muito desafiador.

“Maus”, de Art Spiegelman. – Desenhar palavras e imagens para guardar e compreender o passado. Imperdível.

E o LIVRO DO ANO: “O Filho”, de Philipp Meyer.- Um romance completo

Desejo que tenham muitas e boas leituras.
Votos de sucesso para 2015.





As 10 sugestões:

"As Leis da Fronteira" (Assírio e Alvim), de Javier Cercas

“Às interrogações provocadas pelo surgimento da delinquência juvenil, no período de transição para a democracia após anos de domínio franquista, o escritor espanhol responde com “As Leis da Fronteira”, um exercício de desmontagem do mito e idealização do marginal tipo “Robin Hood”.”


"Autobiografia" (Sistema Solar),de Thomas Bernhard

“Esta obra é a pedra angular entre ficções como “Perturbação” ou “O Náufrago” e a vida do autor. A perspectiva é sempre dominada pelo pessimismo, sarcasmo, niilismo e pela ideia de morte.
No autor, a formação do cinismo perante a vida e a falta de sentido em tudo o que o rodeia é intrínseca à sua proveniência, ao contexto social, educação e à sua própria saúde. É necessário entender a sua infância e juventude para aprofundar o conhecimento da sua obra.”
Texto completo em:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=731733

"Coração de Cão" (Alêtheia), de Mikhail Bulgakov

“Escrito em 1925, mas somente publicado em 1987 — após estar apreendido por décadas — “Coração de Cão” é uma brilhante sátira à sociedade da então embrionária URSS. Bulgakov consegue aliar o drama à comédia num romance rico em simbolismos e típicas estratégias de fuga à censura.”

Texto completo em: http://p3.publico.pt/cultura/livros/12015/quotcoracao-de-caoquot-de-mikhail-bulgakov

"Da Família" (Abysmo), de Valério Romão

“(…) “Da Família” permite confirmar o drama e a intensidade, já presentes em livros anteriores, como recursos muito bem geridos pelo autor. É difícil não cair na tentação de olhar para o abismo reflectido por Valério Romão.
A prosa seduz e cumpre o que promete logo nas primeiras linhas: nada é inócuo; cada frase magoa e, no fim, o leitor sai dos livros com muitas dores de crescimento.”

"Habitante Irreal" (tinta-da-china), de Paulo Scott

“A obra foca a questão indígena, o autoconhecimento como indivíduo e, contextualizado por uma forte vertente sociológica, a evolução política no Brasil durante 20 anos. Segundo o autor, “esse arco que começa em 89 e que parte de uma promessa, ou de uma ambição, e se realiza até 2009 — arco de 20 anos do livro- faz uma reflexão do que foi a minha geração. A minha geração falhou como todas as gerações que vieram antes.”
Texto completo em: http://p3.publico.pt/cultura/livros/11481/quothabitante-irrealquot-de-paulo-scott

"Maus" (Bertrand), de Art Spiegelman

“"Maus" é ainda mais do que uma história de sobrevivência; é também uma tentativa de percorrer o indizível até o inocular.
"Maus" é uma obra-prima para ler e reler.”
Texto completo em: http://p3.publico.pt/cultura/livros/12761/maus-de-art-spiegelman


"Nove Histórias" (Quetzal), de Salinger

“O simbolismo presente e a proximidade de diversos episódios ficcionados à vida real do autor são parte da riqueza literária de “Nove Histórias”.
A canonização dos livros de Salinger tem sido efectuada tanto pelos estudos académicos como pela recepção dos leitores.
“Nove Histórias” merece releitura e estudo aprofundado, pois é um exemplo de excelência dentro deste género narrativo.”


"O Filho" (Bertrand), de Philipp MeyerLIVRO DO ANO

“Utilizando o Texas como metonímia dos Estados Unidos da América, o escritor norte-americano consegue exponenciar a tensão da família McCullough com o exterior, entre os seus próprios membros e explorar os dilemas interiores das personagens principais.
Segundo Eli McCullough, o filho é a semente da destruição.
Philipp Meyer foi ambicioso no projecto e notável na construção do sucessor de “Ferrugem Americana”.
“O Filho” é um romance completo.”


"Teoria dos Limites" (Teodolito), de Maria Manuel Viana

“(…)Maria Manuel Viana potencia e amplia as possibilidades de significação do texto. A Palavra associa-se à matemática e à geometria. A interpretação é uma combinação de possibilidades.
Maria Manuel Viana desafia o hábito estabelecido de introdução-desenvolvimento-conclusão ao propor uma estrutura textual em que criador (escritor) e recriador (leitor) têm de reconciliar os códigos de interpretação.
“Teoria dos Limites” é uma obra aberta, muito inteligente e desafiante.”


“Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" (Porto Editora), de Gonçalo M. Tavares

“O que poderia ser uma história melodramática de uma menina deficiente à procura do pai e dependente da bondade alheia é muito mais do que isso.
Gonçalo M. Tavares captou, pensou e diagnosticou problemas universais. É esta sua capacidade que faz dele um autor canónico e universal.
Os seus livros não dão respostas. Fazem muito mais do que isso: ensinam a fazer perguntas.”



Mário Rufino

Mariorufino.textos@gmail.com

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