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quarta-feira, 18 de março de 2015

FESTIVAL LITERÁRIO DA MADEIRA: Conferência de abertura





O corpo celeste dividiu-se em luz e em sombra, em mar e em terra, quando Deus posou a sua vontade sobre o vazio e disse as palavras “Fiat Lux”. A primeira imagem terá sido assim tão bela como a Madeira sob a primeira luz.
Em 2014, posteriormente à entrevista de Luís Caetano a Gonçalo M. Tavares, Francesco Valentini, director geral da Nova Delphi, desvendou o tema da 5ª edição, que iniciou, oficialmente, esta noite:
“A Beleza: Corpo, Palavra e Imagem”.
E foi Francesco Valentini a iniciar a edição do Festival Literário da Madeira 2015.
Nas suas palavras habitaram Adorno, Nietzsche, Eco, Walter Benjamin, Platão com toda a dialéctica universal provocada pela beleza, plural e volátil. Imprescindível.
Numa edição em que Eduardo Lourenço é  homenageado, conforme Paulo Cafofo (Presidente da Câmara Municipal do Funchal) fez questão de mencionar, a Madeira é o centro de debate, até dia 21, sobre a Beleza.
O Teatro Municipal Baltasar Dias foi a casa onde o trabalho da Nova Delphi encontrou a sua recompensa: a presença do público. E foi muito aquele que assistiu a um dos autores portugueses que mais divulgam a beleza e a palavra camoniana: o professor Hélder de Macedo.
Contextualizados pela beleza da poesia de Luís Vaz de Camões, Hélder de Macedo conversou com a jornalista Anabela Mota Ribeiro sobre o tema “Cada um com o seu contrário num sujeito”, verso da Canção VII (“Manda-me amor que cante docemente”) do maior poeta de Língua Portuguesa.
Hélder Macedo recorre muito a Camões, entre outras razões, por Camões não falar em Verdade, mas antes em verdades. Esta postura contrasta com identificação da Verdade com a Beleza. Havendo verdades, a beleza pluraliza-se e existe em vários matizes.
Ao aceitar-se esta diversidade, o ser humano pode insurgir-se contra a ditadura do gosto expressa no consenso.
Sempre em diálogo com Anabela Mota Ribeiro, o autor afirmou que “a ideia de beleza associada à pureza é feia”. Há uma ideia de impureza ligada, essencialmente, ao corpo. Desta forma, a beleza passa a ser uma abstracção. Tal não é a sua ideia. “O milagre do corpo é fugaz”. Amar um corpo, segundo Hélder Macedo, é amar algo mortal.
Hélder Macedo encaminha o divino para o humano, tal qual Camões fez no poema em debate na Conferência de Abertura.
“´[Camões] é o mais físico dos nossos poetas”, afirmou.
A idealização foi trazida ao físico, ao humano, ao tangível. A sexualidade camoniana foi contraposta à idealização platónica.
O mortal Luís de Camões encontrou o seu lugar na memória de gerações e gerações de leitores graças à sua genialidade, inovação, mas também devido à demanda de estudiosos e apaixonados como Hélder Macedo.
E o que procurava Camões, interrogou Anabela Mota Ribeiro.
“Verdade, amor, razão, merecimento”               



Mário Rufino













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