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domingo, 26 de abril de 2015

FESTIVAL LITERÁRIO DA MADEIRA: Eduardo Lourenço e Alberto Manguel na sessão de encerramento.



Professor Eduardo Lourenço, Alberto Manguel, Luís Caetano





Conferência de encerramento 

Tema: «É preciso imaginar Sísifo feliz» - Albert Camus 
Participantes: Alberto Manguel e Eduardo Lourenço 
Moderador: Luís Caetano 
Local: Teatro Municipal Baltazar Dias








"Este teatro tem sido por estes dias uma casa na árvore, aquele lugar de encanto que tínhamos na infância, ou com que sonhávamos na infância. Temos estado aqui - os que escrevem, os que lêem, os que editam e os que divulgam os livros - porque amamos os livros. Por isso, são sempre momentos muitos especiais em que podemos estar juntos para trocar ideias e conhecermo-nos um pouco melhor"
Luís Caetano (moderador)





"Imaginar Sísifo feliz é um desafio extremo porque o mito de Sísifo é a expressão de uma condição do homem como intrinsecamente absurda e sem sentido. (...) é uma espécie de resumo mítico da vida humana como "inane", como vazia de sentido e de um tempo que não vai para parte alguma."
Eduardo Lourenço





" Eu ia à biblioteca, quando era jovem e fui para a faculdade, e saía de lá doente. Aqueles livros que estavam ali, o saber humano condensado... O que é que se pode acrescentar ao que está lá dentro e que nos é inacessível? (...)"
Eduardo Lourenço
























"A linguagem é débil porque nunca comunica inteiramente o que queremos comunicar, e a língua é o único instrumento que temos. O escritor (como Sísifo) chega a encontrar nessa debilidade a possibilidade de criar a obra perfeita, a justificação do feito artístico, porque uma parte essencial de toda a criação artística é o fracasso. Uma obra perfeita não tem validade artística. As obras de Paulo Coelho são perfeitas. E o leitor não tem campo de acção nessa obra. É unidimensional. Quando encerramos o livro, se estamos condenados a ler Paulo Coelho, encerramo-lo para sempre. Pelo contrário, quando lemos Dante, Eça de Queirós, Cervantes, a obra continua a abrir-se porque ao fim e ao cabo não é perfeita. Há gretas e momentos em que a obra volta a cair como a rocha de Sísifo. (...) Nesse momento, o leitor pode ajudar Sísifo a subi-la outra vez até ela que caia novamente e a nova geração de leitores a ajude a subir. "
Alberto Manguel





"O que faz Dante é criar o teatro do Inferno, mas as representações são nossas. Nós criamos os castigos através de nossas faltas. Eu creio que é uma demonstração que Deus, como autor, é também o autor de obras com falhas, que somos nós. (...) É em nossos pecados que Deus se manifesta, o Deus de Dante"
Alberto Manguel

"A leitura deve ter autoridade. A mim não me preocupa que me acusem de não ser democrata na biblioteca. Eu não sou democrata na biblioteca. Não penso que todos os livros são iguais. Decididamente não são todos iguais. Eduardo Lourenço tem um prestígio na minha biblioteca que não têm 400 outros".
Alberto Manguel


















" Um livro, um verdadeiro livro, só existe em função quase genealógica de todos os livros. Um livro só pode bastar e, no fundo, devia bastar."
Eduardo Lourenço


































Eu quero que suceda uma coisa quando eu morrer: É sabido que, quando morrem os apicultores, alguém tem de dizer às abelhas que o apicultor morreu, que não o esperem mais. Eu quero que alguém faça isso aos meus livros quando eu morrer."
Alberto Manguel

































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