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terça-feira, 23 de junho de 2015

Apresentação de "Viagens Pagãs" (Parsifal), de Fernando Dacosta, no Festival Literatura em Viagem





A língua portuguesa foi feita pelo mar e pelas viagens



“Viagens Pagãs” (Parsifal), de Fernando Dacosta, foi apresentado na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (Matosinhos), no âmbito da 9ª Edição do LeV – Literatura em Viagem. Após uma breve apresentação de Marcelo Teixeira, editor da Parsifal, o autor explanou algumas características da sua obra.

Segundo Fernando Dacosta, esta obra colige o relato de várias viagens e surge como aceitação do desafio proposto pelo seu editor. As sete crónicas recordam o leitor da capacidade colectiva portuguesa em navegar e descobrir novos territórios geográficos ou espirituais. Em cada caravela, recordou o autor, havia pelo menos um cronista, a quem estava entregue a função de narrar a viagem e, em consequência, deixar o testemunho como património cultural.
Esta procura do desconhecido é característica vincada da nossa identidade. Sempre fomos muito bons a escrever e a navegar, afirmou. Camões, Saramago e, mais recentemente, Gonçalo M Tavares são autores demonstrativos da contínua ligação entre literatura e viagem.
A língua portuguesa foi feita pelo mar e pelas viagens.
A ironia é marcante na prosa do multipremiado escritor português (Prémios Gazeta, Fernando Pessoa, Grande Prémio da Literatura do Círculo de Leitores). Os invulgares episódios relatados em “Viagens Pagãs” aconteceram em geografias díspares como África, Açores ou Brasil e com personalidades tão distintas como Samora Machel ou Agustina Bessa-Luís.
O título do livro remete para características da identidade colectiva portuguesa. A viagem é a busca de metáforas que remetem para essa identidade. O paganismo está mais presente do que o catolicismo, que é, segundo o autor, “de fachada”. O português é sebastianista, declarou. Isso resulta na procura de salvação em indivíduos e na inevitável ligação entre um povo, a literatura e o poder.
“A palavra escrita é a mais independente e a mais difícil de ser controlada pelos poderes existentes”.
A terminar, Fernando Da Costa leu um excerto de Vergílio Ferreira, considerado pelo autor como o principal romancista do século XX:
“Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.”
“Viagens Pagãs” continua a tradicional narrativa da sempiterna demanda do outro, de locais longínquos e desconhecidos. Desta forma, o mais recente livro de Fernando Dacosta foi apresentado no evento mais adequado ao seu conteúdo: um festival dedicado à Literatura em Viagem.


http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=772431

2 comentários:

Daniel disse...

Gostei do blogue e da atenção dada aos autores portugueses. Pena que muitos passem despercebidos do público em geral, mas fiquei com vontade de ler este. O último livro de autor português que li foi «A Noiva do Tradutor» e adorei; foge ao típico «padrão» português.
Bom trabalho, vou acompanhar!

Mário Rufino disse...

Muito obrigado, Daniel.
Abraço
M

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