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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Apresentação de "O Toiro Azul" (Tcharan), de Manuela Costa Ribeiro e Gonçalo Viana


A O! Galeria, em Lisboa, recebeu a apresentação de “O Toiro Azul” (Tcharan), de Manuela Ribeiro (texto) e Gonçalo Viana (ilustrações.)
Galeria cheia, no passado domingo, para ouvir Luís Ricardo Duarte (jornalista do Jornal de Letras), Adélia Carvalho (editora), Marta Madureira (editora) e os autores falar sobre o toiro Serafim.
Após Adélia Carvalho ter lido “O Toiro Azul”, para alegria das crianças presentes, Luís Ricardo Duarte procedeu à apresentação do livro.
Segundo o jornalista do J.L., “ este toiro azul é um animal diferente. Se quiséssemos fazer a árvore genealógica do toiro azul, poderíamos encontrar um patinho feio, um Maurício da Gama, de David MacKintosh, que é sobre um aluno que entra na sala de aula e é diferente de todos, ou até do senhor Sommer, de Patrick Suskind. (…) O toiro azul é desses animais, seres ou pessoas fantásticas que cruzam a nossa infância e povoam a nossa vida”
Manuela Ribeiro, uma das principais responsáveis pelas Correntes d`Escritas, consegue no seu texto superar o desafio dos opostos. Em “O Toiro Azul”, a fantasia da criança concilia-se com a ciência da avó. Ricardo Duarte lembrou o exercício criativo de Gianni Rodari (especialista em livros de literatura infantil), quando o autor italiano associou elementos dissonantes, como o capuchinho verde, para captar a atenção das crianças.
“Por que é que não há de haver um touro Azul?”, disse a autora. “E, obviamente, por que é que nós não havemos de pensar que a diferença em vez de ser um problema pode ser uma qualidade?”
A história de “O Toiro Azul”, quarto livro infantil de Manuela Ribeiro, nasceu de uma conversa com uma colega. Nessa conversa, foi-lhe dito que a avó da colega contava uma história muito apreciada por ela, quando criança. No entanto, agora só se lembra do título: “O Toiro Azul”. Manuela Ribeiro resolveu partir desse título para chegar à história. E Gonçalo Viana parte do texto para chegar à ilustração. Segundo o ilustrador, o seu trabalho “vem sempre do texto. Leio primeiro o texto para perceber qual é o significado que o autor está a tentar alcançar. Depois tento sempre tornar o desenho interessante.”
As ilustrações de Gonçalo Viana remetem para as pinturas de Almada Negreiros ou para um certo futurismo russo, de acordo com a opinião de Luís Ricardo Duarte. Gonçalo Viana confirmou a existência dessas influências:
“Embora eu tenha querido ser ilustrador desde criança, fui para Arquitectura. Na altura, não conhecia ninguém que ganhava a vida a desenhar. Em Arquitectura gostava muito do desconstrutivismo. Fui influenciado pelos desconstrutivistas e futuristas russos”
A terminar a apresentação, a editora Adélia Carvalho afirmou não ter havido dúvidas na escolha do ilustrador. Pela conjugação das cores e pelo trabalho sobre as personagens, as editoras da Tcharan perceberam que o ilustrador escolhido para o texto de Manuela Ribeiro teria de ser Gonçalo Viana. Nessa conjugação entre desenho e texto foi criado “O Toiro Azul”.

Mário Rufino




























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