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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Festival Literário da Gardunha iniciou a sua 3ª viagem



Festival Literário da Gardunha iniciou a sua 3ª viagem



A 3ª edição do Festival Literário da Gardunha começou, oficialmente, no dia 21 de Maio.
Gonçalo M. Tavares, Ana Margarida de Carvalho, Fernando DaCosta e Margarida Gil dos Reis (moderadora) foram os protagonistas da primeira “Mesa Redonda” do festival.
Após a Conferência de César António Molina, antigo ministro da Cultura de Espanha, os três autores portugueses conversaram, com maiores ou menores desvios, dentro do mote proposto para esta edição: “Escrever a Paisagem”.

Gonçalo Tavares vê a energia humana como algo de muito atraente. Depois de estar isolado a escrever, o autor de “Uma Viagem à Índia” precisa de ter pessoas à sua volta.
“Se a paisagem não incluir seres humanos, entedia-me”.
O indivíduo contemporâneo limita-se a passar repetidamente pelos mesmos lugares sem qualquer observação do que o rodeia. A repetição desse trajecto desenha uma figura geométrica no mapa. É o traço deixado pela rotina. Além da vertente concreta e geográfica da viagem, a deslocação do indivíduo é também formada por uma variável: a velocidade.
A linha recta, que indica o caminho mais curto e mais rápido, tornou-se uma obsessão. Esta realidade elimina o gozo de viajar. Hoje a viagem começa e acaba no ponto final, ou seja no destino.
Antes do vício em velocidade, a viagem era o trajecto entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Daqui resulta o interessa do autor pelos situacionistas e pelo conceito de desvio. Sair da forma geométrica e reduzir a velocidade permitem que o indivíduo repare. Se uma pessoa viaja mas continua com a atenção no local de partida, em verdade não viaja.
Fernando Dacosta, autor de “Viagens Pagãs” (Parsifal), lembrou as histórias trágico-marítimas. Nessa época, os reis mandavam embarcar pelo menos um cronista em cada caravela. Era o “registador de factos”, capaz de grandes descrições dos costumes e das paisagens.
A tradição da viagem na literatura portuguesa prolonga-se no século XIX com “ Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garrett, entra no século XX com “As Ilhas Desconhecidas”, de Raúl Brandão e, já no século XXI, prossegue com “Uma Viagem à Índia”, de Gonçalo M. Tavares.
Há uma característica fundamental no pensamento do homem português, para Fernando Dacosta: Portugal não é o centro do mundo.
Em consequência, o português sente o apelo pela viagem.
A vontade de viajar tanto pode ser mental, como a do sedentário Fernando Pessoa, ou mais física, como a de Padre António Vieira e Luís Vaz de Camões.


Ana Margarida de Carvalho, que viria a apresentar o seu novo romance no Festival Literário da Gardunha, afirmou que escrever é estar parada e isolada num sítio.
“Que importa a fúria do mar” (Teorema) foi construído através da investigação e não através de uma viagem a Cabo Verde e ao Tarrafal. As possíveis incoerências factuais não são relevantes. Na ficção a verosimilhança é muito mais importante do que a verdade.
A viagem tem várias declinações. O Festival Literário da Gardunha promoveu desvios aos hábitos dos habitantes desta região. O Auditório Moagem, no Fundão, recebeu muitos interessados em fugir da rotina através da literatura.


MR




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